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Doenças crônicas

Asma

Doença inflamatória crônica das vias aéreas, com obstrução reversível do fluxo de ar. Os sintomas vão e voltam, e o controle depende de tratamento contínuo.

Revisado pelo grupo de revisão Por Equipe editorial Saudewiki
Publicado em:
13 de outubro de 2026
Última atualização:
15 de outubro de 2026

O que é asma?

Ilustração médica comparando dois brônquios em corte, o da esquerda aberto com o ar passando e o da direita contraído, vermelho e cheio de muco amarelo, com recorte de uma pessoa usando um inalador com espaçador e quatro ícones de chiado no peito, aperto no peito, tosse e piora à noite

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. Essa inflamação deixa as vias mais sensíveis e faz com que elas se estreitem com facilidade em contato com poeira, mofo, fumaça, mudanças de tempo e infecções respiratórias.

Quando as vias aéreas se estreitam, o ar passa com dificuldade. O resultado é chiado, falta de ar, aperto no peito e tosse, que aparecem em episódios chamados crises e se alternam com períodos de controle.

A asma atinge cerca de 4,6% dos adultos e 12,1% das crianças no Brasil, segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da asma do Ministério da Saúde, publicado em 2026. O país registra em média cerca de seis mortes por dia pela doença, a maior parte evitável com tratamento adequado.

Asma tem tipos diferentes?

A asma é uma só doença, mas pode ser classificada de formas diferentes, e essa classificação ajuda a orientar o tratamento:

  • Asma alérgica: a forma mais comum, em que as crises são desencadeadas por alérgenos como ácaros, poeira, pelos de animais e mofo.
  • Asma não alérgica: as crises são provocadas por outros gatilhos, como infecções respiratórias, fumaça, exercício, ar frio e estresse.
  • Asma leve, moderada ou grave: classificação pela frequência dos sintomas e pelo tipo de tratamento necessário para manter a doença controlada.
  • Asma ocupacional: surge ou piora por causa de substâncias presentes no ambiente de trabalho, como poeiras, vapores e produtos químicos.

Quais são os sintomas?

Os sintomas da asma vão e voltam, e a intensidade varia de pessoa para pessoa e ao longo do tempo. Os mais comuns são:

  • Chiado no peito, chamado de sibilância
  • Falta de ar, que piora com esforço
  • Aperto ou pressão no peito
  • Tosse, muitas vezes seca e persistente, sobretudo à noite
  • Piora dos sintomas à noite ou no início da manhã
  • Cansaço para atividades que antes eram fáceis
  • Acordar durante a noite por falta de ar ou tosse

Leia também: o que fazer em uma crise de asma

Asma é contagiosa?

Não. A asma é uma doença crônica não transmissível: ela não passa de uma pessoa para outra, nem pelo ar, nem pelo contato.

Uma infecção respiratória, como um resfriado ou uma gripe, pode desencadear uma crise em quem tem asma, mas isso não significa que a doença tenha sido transmitida.

O que aumenta o risco de asma?

Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver asma ou de ter crises mais frequentes. Entre eles:

  • História familiar de asma, rinite alérgica ou dermatite atópica
  • Exposição à fumaça do tabaco, sobretudo durante a gravidez e na primeira infância
  • Contato frequente com ácaros, poeira, mofo e pelos de animais
  • Infecções respiratórias de repetição na infância
  • Obesidade
  • Exposição a substâncias irritantes no ambiente de trabalho

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela história clínica e pelo exame físico. São valorizados sintomas que vão e voltam, que pioram à noite ou no início da manhã e que aparecem depois do contato com um gatilho.

A confirmação vem da espirometria, um exame que mede como o ar entra e sai dos pulmões e registra o volume expiratório forçado no primeiro segundo, o VEF1. A prova é feita antes e depois do uso de um broncodilatador: um aumento do VEF1 de pelo menos 12% e 200 mL confirma que a obstrução é reversível, característica da asma.

Em crianças pequenas, a espirometria pode ser difícil de realizar, e o diagnóstico fica apoiado nos sintomas e na resposta ao tratamento. Nesses casos, o médico também precisa descartar outras causas de tosse e chiado, como bronquiolite, rinite alérgica e refluxo.

Como reduzir as crises

Com o tratamento de controle bem feito e alguns cuidados no dia a dia, é possível reduzir a frequência e a gravidade das crises:

  • Não fumar e evitar a exposição à fumaça do tabaco, inclusive a passiva
  • Reduzir o contato com ácaros, poeira, mofo e pelos de animais, mantendo a casa ventilada e sem acúmulo de objetos que juntam pó
  • Manter as vacinas em dia, sobretudo contra a gripe: pessoas com asma em uso de corticoide inalatório ou sistêmico, na forma moderada ou grave, estão entre os grupos prioritários da campanha anual de vacinação
  • Usar o medicamento de controle todos os dias, mesmo nos períodos sem sintomas
  • Reconhecer e evitar os gatilhos pessoais
  • Manter atividade física e peso saudável, com orientação profissional

Tratamento e cuidados

Não comece, não suspenda e não altere a dose de nenhum medicamento por conta própria. Só um profissional de saúde pode indicar o tratamento adequado ao seu caso.

O tratamento da asma tem duas frentes. O medicamento de controle reduz a inflamação das vias aéreas e deve ser usado todos os dias, mesmo quando a pessoa está bem. O medicamento de alívio abre a via aérea durante a crise, mas não substitui o de controle.

Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da asma, do Ministério da Saúde, todo paciente deve ter acesso a um broncodilatador de ação rápida para alívio dos sintomas e, quando os sintomas são frequentes ou há histórico de crises graves, o tratamento de controle começa com um corticosteroide inalatório.

No SUS, o tratamento é gratuito: beclometasona e salbutamol inalatórios e prednisona estão disponíveis nas unidades de saúde para o controle da asma.

Usar o inalador do jeito certo é parte do tratamento, porque a técnica errada faz o medicamento não chegar aos pulmões. Vale pedir ao profissional de saúde que observe a sua técnica na próxima consulta.

Sinais de alerta e quando procurar atendimento

Uma crise grave é uma emergência. Ligue para o SAMU (192) ou vá imediatamente a um pronto atendimento, sem esperar a crise melhorar sozinha, se houver:

  • Dificuldade para falar frases completas
  • Uso visível da musculatura do pescoço e das costelas para respirar
  • Lábios ou pontas dos dedos azulados
  • Sonolência ou confusão durante a crise
  • Falta de resposta ao medicamento de alívio
  • Piora progressiva apesar do tratamento habitual
  • Chiado muito intenso ou, ao contrário, peito silencioso, sem chiado audível, com grande dificuldade para respirar

Perguntas frequentes

Asma tem cura?

A asma não tem cura, mas pode ser controlada. Com o tratamento de controle feito corretamente, a maior parte das pessoas vive sem crises frequentes e sem limitação nas atividades do dia a dia.

Posso usar só a bombinha de alívio quando sinto falta de ar?

Não. O medicamento de alívio trata o sintoma, mas não a inflamação das vias aéreas. Usar apenas o de alívio com frequência indica que o controle está inadequado e exige reavaliação profissional.

Quem tem asma pode fazer exercício físico?

Sim. A atividade física faz parte do tratamento e melhora a capacidade respiratória. Se o exercício provoca crises com frequência, o controle pode estar inadequado, e o tratamento costuma ser ajustado para permitir a prática sem sintomas.

Fontes e referências

Fontes públicas consultadas na redação deste conteúdo. Cada link aponta para o documento específico, não para a página inicial da instituição.

  1. Asma: orientações e tratamento, Ministério da Saúde (Brasil)
  2. Asma: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, Ministério da Saúde (Brasil)
  3. Vacinação: calendário e grupos prioritários, Ministério da Saúde (Brasil)
  4. Asthma: fact sheet, Organização Mundial da Saúde

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica, um exame físico nem a orientação individual de um profissional de saúde. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure uma unidade de saúde. Ler o aviso médico completo

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