Dengue
Doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. A maior parte dos casos é leve, mas a forma grave pode evoluir rapidamente.
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- concluída pelo grupo de revisão
- Publicado em:
- 13 de outubro de 2026
- Última atualização:
- 13 de outubro de 2026
O que é dengue?
Dengue é uma infecção causada por um vírus transmitido principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti. Existem quatro sorotipos do vírus, e uma pessoa pode adoecer mais de uma vez ao longo da vida.
A maioria das pessoas infectadas apresenta sintomas leves ou nenhum sintoma. Uma parcela menor evolui para formas graves, geralmente depois que a febre começa a ceder.
A infecção por um sorotipo gera imunidade duradoura contra ele, mas não protege contra os outros três. Por isso, uma nova infecção por outro sorotipo pode aumentar o risco de a doença evoluir para a forma grave.
A doença é mais comum em regiões tropicais e subtropicais, sobretudo em áreas urbanas com acúmulo de água parada e alta densidade de mosquitos.
Como a dengue é transmitida?
A transmissão acontece pela picada de um mosquito fêmea infectado, sobretudo durante o dia. Não há transmissão direta de pessoa para pessoa.
O mosquito se reproduz em água parada, o que explica por que os casos aumentam em períodos de chuva e calor.
O Aedes aegypti costuma picar no início da manhã e no fim da tarde e vive perto das pessoas. Por isso, quem está com dengue deve evitar novas picadas: isso reduz a chance de o mosquito adquirir o vírus e transmiti-lo a outras pessoas.
Em situações raras, o vírus também pode ser transmitido da gestante para o bebê, por transfusão de sangue ou por transplante de órgãos.
Quais são os sintomas da dengue?
Os primeiros sinais costumam aparecer entre quatro e dez dias após a picada do mosquito.
Os sintomas variam bastante: nem todas as pessoas têm febre alta, manchas na pele ou todas essas manifestações ao mesmo tempo, e muitas infecções não causam sintoma nenhum.
- Febre alta de início súbito, geralmente entre 39 °C e 40 °C
- Dor de cabeça intensa e dor atrás dos olhos, que piora ao movimentar os olhos
- Dores musculares e nas articulações
- Náusea, vômito e falta de apetite
- Manchas vermelhas na pele, que podem surgir mais tarde
- Coceira, sobretudo quando as manchas aparecem
Quais são as fases da dengue?
A dengue costuma passar por três fases. Reconhecê-las ajuda a entender por que a piora pode acontecer justamente quando a febre começa a baixar.
Fase febril: dura de dois a sete dias, com febre, dores no corpo, dor de cabeça e mal-estar. A desidratação pode ocorrer pela febre, pelos vômitos ou pela baixa ingestão de líquidos.
Fase crítica: começa quando a febre diminui, em geral entre o terceiro e o sétimo dia, e pode durar de 24 a 48 horas. Em quem evolui para a forma grave, é nesse período que podem surgir o extravasamento de plasma, os sangramentos e o choque.
Fase de recuperação: o organismo reabsorve o líquido que saiu dos vasos, o apetite volta e as alterações dos exames tendem a regredir. Cansaço, manchas e coceira podem permanecer por algum tempo.
O que é dengue grave?
A dengue grave é a forma da doença associada a pelo menos uma destas complicações: extravasamento importante de plasma, com choque ou acúmulo de líquido que prejudica a respiração; sangramento intenso; ou comprometimento grave de órgãos, como fígado, coração, cérebro e rins.
O termo “dengue hemorrágica” ainda é usado popularmente, mas não descreve todos os casos: uma pessoa pode ter dengue grave sem apresentar sangramento evidente.
Sinais de alerta e quando procurar atendimento
A melhora da febre não significa que o risco acabou: os sinais de alerta costumam surgir quando a temperatura começa a baixar, geralmente entre o terceiro e o sétimo dia da doença.
Procure atendimento imediatamente, mesmo que a febre tenha baixado, se aparecer algum destes sinais:
- Dor abdominal intensa e contínua
- Vômitos persistentes ou dificuldade de beber líquidos
- Sangramento de gengiva, nariz ou nas fezes
- Vômito com sangue ou fezes muito escuras
- Sonolência excessiva, confusão, agitação ou irritabilidade
- Tontura, desmaio ou queda de pressão
- Dificuldade para respirar
- Pele pálida, fria e úmida
- Fraqueza intensa
- Urinar muito menos que o habitual ou sinais de desidratação
- Barriga inchada de forma repentina ou progressiva
- Piora súbita depois que a febre baixa
Leia também: quando procurar atendimento médico em caso de suspeita de dengue
Quem tem maior risco de complicações?
Qualquer pessoa pode desenvolver dengue grave, mas alguns grupos precisam de acompanhamento mais atento:
- Bebês e crianças pequenas
- Pessoas com 65 anos ou mais
- Gestantes e mulheres no pós-parto
- Pessoas que já tiveram dengue
- Pessoas com diabetes, hipertensão, doença renal, doença cardíaca, doença respiratória ou doenças do sangue
- Pessoas com obesidade
- Pessoas com imunidade comprometida
- Pessoas com dificuldade para se hidratar ou sem acesso rápido a atendimento
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela avaliação clínica: sintomas, dia em que começaram e histórico de moradia ou viagem em área com circulação do vírus. No exame físico, o profissional procura sinais de desidratação, sangramento, alterações na circulação e comprometimento de órgãos.
O tipo de exame depende do momento da doença. Nos primeiros dias, geralmente até o quinto dia, o RT-PCR e o teste de antígeno NS1 podem identificar o vírus; a partir do sexto dia, a sorologia detecta os anticorpos produzidos contra ele.
O hemograma ajuda a acompanhar leucócitos, hematócrito e plaquetas, mas não confirma a dengue sozinho. Exames de função hepática e renal, testes de coagulação e exames de imagem podem ser solicitados conforme o quadro.
A queda das plaquetas é comum, mas o número isolado não define a gravidade nem indica transfusão por si só: o risco é avaliado em conjunto com o estado geral, a pressão arterial, a hidratação e outros exames.
Quais doenças podem parecer dengue?
Febre, dores no corpo e manchas na pele também aparecem em outras doenças. Dependendo da região e dos sintomas, o profissional pode considerar outros diagnósticos.
Não é seguro diferenciar essas doenças apenas pela aparência das manchas ou pela intensidade da dor: a avaliação profissional é necessária.
- Chikungunya e zika
- Febre do Oropouche
- Covid-19 e influenza
- Leptospirose
- Malária
- Sarampo e rubéola
- Febre amarela
- Meningite e outras infecções
Tratamento e cuidados
Não comece, não suspenda e não altere a dose de nenhum medicamento por conta própria. Só um profissional de saúde pode indicar o tratamento adequado ao seu caso.
Não há medicamento antiviral específico. O manejo se baseia em hidratação, alívio dos sintomas e acompanhamento clínico, sempre com orientação de um profissional de saúde.
Em quadros leves, os cuidados incluem repouso, ingestão frequente de líquidos, alimentação leve conforme o apetite, observação da quantidade de urina e retorno para reavaliação na data indicada.
Para febre e dor, o paracetamol pode ser indicado, mas a escolha e a dose dependem da idade, do peso e de outras condições, e devem ser definidas por um profissional de saúde. Não se automedique.
Enquanto houver suspeita de dengue, evite aspirina (AAS), ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno e remédios para gripe ou dor que contenham essas substâncias: eles aumentam o risco de sangramento.
Se houver vômitos repetidos, desidratação, sinais de alerta ou dengue grave, pode ser necessário receber soro na veia, ficar em observação ou ser internado. A quantidade e a velocidade da hidratação intravenosa são definidas pela equipe de saúde.
Antibióticos não têm efeito contra o vírus, e corticoides e transfusões não são indicados de rotina: dependem de avaliação médica específica.
Recuperação e cuidados
A maioria das pessoas se recupera em uma ou duas semanas. O cansaço e a fraqueza podem persistir por mais tempo, mesmo depois que a febre e as dores desaparecem.
O retorno às atividades deve ser gradual, e é melhor evitar exercício intenso, consumo de álcool e automedicação durante a recuperação.
Procure novamente o serviço de saúde se os sintomas voltarem ou se aparecer falta de ar, sangramento, dor abdominal, tontura ou redução da quantidade de urina.
Com reconhecimento precoce e manejo adequado, a maioria dos casos graves pode ser tratada com sucesso.
Como prevenir a dengue?
Como não existe tratamento específico para eliminar o vírus, a prevenção combina eliminação de criadouros, proteção contra picadas e vacinação quando indicada.
Os ovos do mosquito podem permanecer viáveis por meses em superfícies secas. Por isso, não basta descartar a água: é importante esfregar as paredes internas dos recipientes.
Repelentes com icaridina, DEET ou IR3535 podem ser usados conforme o rótulo e as orientações para cada faixa etária, inclusive na gestação.
No Brasil existem vacinas contra a dengue aprovadas pela Anvisa. A indicação depende da idade, das condições de saúde e das recomendações vigentes, e a oferta pode variar conforme o município. Consulte uma unidade de saúde para saber se a vacina é indicada para você. Mesmo quem foi vacinado deve continuar eliminando os criadouros e evitando a picada.
- Eliminar água parada em vasos, calhas, pneus e recipientes guardados
- Manter caixas d’água e tonéis tampados
- Limpar com frequência bebedouros de animais e ralos pouco usados
- Colocar areia nos pratinhos dos vasos ou retirá-los
- Guardar garrafas e baldes virados para baixo
- Manter piscinas tratadas e cobertas quando não estiverem em uso
- Verificar bandejas da geladeira e do ar-condicionado, que também acumulam água
- Usar repelente e roupas que cubram braços e pernas em áreas com transmissão
- Instalar telas em portas e janelas e usar mosquiteiro, sobretudo para bebês e pessoas acamadas
Perguntas frequentes
Dengue pega de outra pessoa?
Não. A transmissão ocorre pela picada do mosquito Aedes aegypti infectado, não pelo contato direto entre pessoas.
Quem já teve dengue pode ter de novo?
Sim. Como existem quatro sorotipos do vírus, uma nova infecção por um sorotipo diferente é possível e pode aumentar o risco de a doença evoluir para a forma grave.
Quanto tempo dura a dengue?
Os sintomas agudos costumam durar de dois a sete dias, e a maioria das pessoas se recupera em uma ou duas semanas. Cansaço e fraqueza podem persistir por mais tempo.
É possível ter dengue sem febre?
Sim. A febre pode ser baixa ou até não aparecer em algumas pessoas, e o uso de antitérmicos também pode reduzir a temperatura por algum tempo.
Dengue dá coceira?
Pode. A coceira costuma aparecer junto com as manchas ou durante a recuperação. Se for intensa, procure orientação antes de usar medicamentos ou cremes por conta própria.
Dengue baixa as plaquetas?
Pode baixar ao longo da doença, mas a gravidade não é definida só pelo número de plaquetas. O estado geral, a pressão arterial, a hidratação e outros exames também são avaliados.
Pode tomar ibuprofeno com suspeita de dengue?
Não é recomendado. O ibuprofeno, a aspirina e outros anti-inflamatórios podem aumentar o risco de sangramento. Procure orientação para escolher uma opção segura.
Existe algum alimento ou suco que aumente as plaquetas?
Não há alimento ou bebida com comprovação de que eleve as plaquetas de forma imediata. Alimentação leve e boa hidratação ajudam na recuperação, mas não substituem o acompanhamento clínico.
Dengue tem cura?
Na maioria dos casos, o próprio organismo elimina o vírus e a pessoa se recupera com hidratação, repouso e acompanhamento. Não há antiviral específico, e o mais importante é observar os sinais de alerta e tratar rapidamente qualquer complicação.
Existe vacina contra dengue?
Sim. O SUS oferece vacina contra a dengue, mas para o público e as regiões definidos pela estratégia do Ministério da Saúde, que mudam com o tempo. A vacina não substitui as medidas para reduzir a proliferação do mosquito. Informe-se na UBS da sua região.
Fontes e referências
Fontes públicas consultadas na redação deste conteúdo. Cada link aponta para o documento específico, não para a página inicial da instituição.
- Dengue: sintomas, prevenção e tratamento, Ministério da Saúde (Brasil)
- Dengue and severe dengue: fact sheet, Organização Mundial da Saúde
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica, um exame físico nem a orientação individual de um profissional de saúde. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure uma unidade de saúde. Ler o aviso médico completo
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