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Doenças infecciosas

Chikungunya

Infecção viral transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. A marca é a dor nas articulações, que pode durar semanas ou meses.

Em revisão médica Por Equipe editorial Saudewiki
Revisão do conteúdo:
concluída pelo grupo de revisão
Publicado em:
13 de outubro de 2026
Última atualização:
13 de outubro de 2026

O que é chikungunya?

Ilustração médica de um joelho em corte com a membrana sinovial inchada e partículas do vírus, um mosquito no canto superior, com recorte de mãos com as articulações inflamadas e quatro ícones de febre alta, dor articular, manchas na pele e conjuntivite

Chikungunya é uma arbovirose, ou seja, uma doença viral transmitida por mosquitos. Ela é causada pelo vírus chikungunya (CHIKV), transmitido pela picada dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, os mesmos que transmitem dengue e zika.

O nome vem de uma expressão africana que descreve a postura curvada de quem sente dor nas articulações. Esse é o traço que diferencia a chikungunya das outras arboviroses: a dor articular costuma ser intensa, pode ser incapacitante e pode se prolongar bem depois de a febre passar.

O vírus circula no Brasil desde 2014 e hoje há transmissão em todos os estados, com surtos que costumam aumentar nos meses mais quentes e chuvosos. A maioria das pessoas se recupera por completo, mas uma parcela menor evolui com complicações neurológicas, cardíacas ou renais, e os casos graves podem exigir internação.

Como a chikungunya é transmitida?

A transmissão acontece pela picada de um mosquito fêmea infectado, principalmente durante o dia. O vírus passa para o mosquito quando ele pica uma pessoa durante o período em que o vírus está circulando no sangue, que costuma durar cerca de uma semana a partir do início dos sintomas. Depois de alguns dias, o mosquito se torna capaz de transmitir o vírus a outras pessoas ao picá-las.

A chikungunya não passa pelo contato do dia a dia, como abraço, beijo ou tosse, nem pelo ar. A transmissão de mãe para filho existe, mas é rara e acontece quase sempre durante o parto, quando a gestante está com o vírus no sangue. Nesse caso, o recém-nascido pode desenvolver uma forma grave e precisa de acompanhamento hospitalar.

O Aedes aegypti pica principalmente durante o dia e vive perto das casas, em qualquer recipiente que acumule água parada. Por isso, o risco aumenta em períodos de calor e chuva, em áreas urbanas e onde há acúmulo de recipientes.

Quais são os sintomas?

Os sintomas costumam surgir de 4 a 8 dias depois da picada, podendo aparecer entre o 2º e o 12º dia. O início é abrupto e a febre alta é frequente.

A dor nas articulações é o que mais caracteriza a chikungunya. Ela pode ser tão forte que dificulta movimentos simples, como segurar um objeto ou andar, costuma piorar com o esforço e tender a ser mais intensa pela manhã. Em geral, atinge mãos, punhos, tornozelos e pés, mas também pode afetar joelhos e ombros.

  • Febre alta de início súbito
  • Dor intensa nas articulações, às vezes com inchaço
  • Dor nas costas e dor muscular
  • Manchas vermelhas na pele, com ou sem coceira
  • Dor de cabeça e dor atrás dos olhos
  • Conjuntivite sem secreção
  • Náuseas, vômitos e, em crianças, diarreia ou dor abdominal
  • Dor de garganta e calafrios

Leia também: quanto tempo dura a dor nas articulações da chikungunya

As três fases da doença

A chikungunya costuma evoluir em três fases:

  • Fase aguda (febril): dura de 5 a 14 dias. É o período em que aparecem a febre, a dor nas articulações e os demais sintomas.
  • Fase pós-aguda: vai do 15º ao 90º dia. Muitas pessoas ainda sentem dor e rigidez nas articulações, mesmo com a febre já controlada.
  • Fase crônica: ocorre quando os sintomas persistem por mais de 90 dias. Em mais da metade dos casos, a dor nas articulações se torna crônica e pode permanecer por anos.

Sinais de alerta e quando procurar atendimento

A chikungunya costuma ser uma doença que melhora sozinha, mas as formas graves podem surgir de forma rápida. A melhora da febre nem sempre significa que o quadro está controlado: se os sintomas piorarem ou surgirem novos sinais, volte ao serviço de saúde para reavaliação.

Procure atendimento de urgência se surgir qualquer um destes sinais:

  • Vômitos persistentes
  • Dor abdominal forte e contínua
  • Sangramento nas gengivas ou no nariz, ou manchas roxas na pele
  • Confusão mental, sonolência excessiva ou convulsões
  • Fraqueza ou dificuldade para mover um lado do corpo
  • Falta de ar, dor no peito ou palpitações
  • Urinar muito menos que o habitual
  • Pele e olhos amarelados

Veja os sinais de alerta da dengue, que são semelhantes

Quem tem mais risco de casos graves

A maioria das pessoas se recupera bem, mas alguns grupos têm maior chance de evoluir para formas graves.

Nesses grupos, a doença pode levar a complicações e, em casos raros, ao óbito, por isso o acompanhamento médico deve ser mais próximo. Os principais são:

  • Recém-nascidos, principalmente os infectados no momento do parto ou picados nas primeiras semanas de vida
  • Idosos, sobretudo os que têm diabetes, doenças do coração ou outras doenças crônicas
  • Pessoas com a imunidade comprometida ou com doenças crônicas descompensadas

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito por um médico, a partir dos sintomas, do exame físico e de um exame de sangue. Todos os testes necessários estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), e o tipo de exame depende do dia da doença.

  • Até o 8º dia do início dos sintomas, pode ser feito o RT-PCR, que detecta o material genético do vírus
  • A partir do 6º dia, pode ser feita a sorologia para anticorpos do tipo IgM
  • O hemograma pode mostrar alterações leves, como redução de plaquetas e de leucócitos, mas serve de apoio e não confirma sozinho a chikungunya

Leia também: como diferenciar chikungunya e dengue

Chikungunya, dengue ou zika: como diferenciar

As três doenças são transmitidas pelo mesmo mosquito e têm sintomas parecidos, o que torna a diferenciação difícil apenas pela aparência.

Como a dengue pode provocar sangramentos graves, é importante que o médico descarte essa possibilidade antes de indicar certos medicamentos. Nunca use anti-inflamatórios por conta própria enquanto houver suspeita de dengue.

  • Dengue: febre alta de 4 a 7 dias, manchas vermelhas a partir do 4º dia em 30% a 50% dos casos, dor muscular frequente e dor articular leve
  • Zika: febre ausente ou baixa de 1 a 2 dias, manchas vermelhas no 1º ou 2º dia em 90% a 100% dos casos, dor muscular e articular moderadas
  • Chikungunya: febre alta de 2 a 3 dias, manchas vermelhas entre o 2º e o 5º dia em cerca de 50% dos casos, dor muscular menos frequente e dor articular intensa e incapacitante

Tratamento e cuidados

Não comece, não suspenda e não altere a dose de nenhum medicamento por conta própria. Só um profissional de saúde pode indicar o tratamento adequado ao seu caso.

Não existe antiviral específico contra o vírus da chikungunya. O tratamento alivia os sintomas e inclui repouso, ingestão de líquidos e medicamentos para a dor e a febre, sempre com orientação profissional.

Para febre e dor, o profissional de saúde pode indicar dipirona ou paracetamol. Evite o ácido acetilsalicílico (aspirina) e os anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida, porque aumentam o risco de sangramento, principalmente enquanto a dengue não é descartada. Corticoides também não devem ser usados sem indicação médica.

Quando há dor persistente ou comprometimento das articulações, o médico pode recomendar fisioterapia para ajudar a recuperar os movimentos.

  • Descanse e beba bastante líquido ao longo do dia
  • Prefira alimentos leves e evite bebidas alcoólicas
  • Não tome remédios por conta própria
  • Durante a primeira semana, proteja-se de picadas de mosquito para não infectar novos mosquitos e interromper a transmissão
  • Volte ao serviço de saúde se os sintomas piorarem

Recuperação e dores articulares que persistem

A maior parte das pessoas se recupera por completo em uma ou duas semanas. A dor e a rigidez nas articulações, no entanto, podem continuar por mais tempo e, em alguns casos, se tornar crônicas, com duração de meses a anos.

Idade mais avançada e doenças crônicas aumentam a chance de a dor se prolongar. O acompanhamento com fisioterapia e o tratamento adequado da dor ajudam a manter a qualidade de vida durante essa fase. Também podem ocorrer complicações, como problemas oculares, cardíacos e neurológicos, que exigem avaliação médica.

Como prevenir?

Não há antiviral específico, então a melhor forma de prevenção é impedir a reprodução do mosquito e evitar suas picadas. Reservar cerca de 10 minutos por semana para vistoriar o quintal é uma medida recomendada pelo Ministério da Saúde e ajuda a eliminar focos do mosquito.

O repelente é considerado seguro na gravidez quando usado conforme as instruções do fabricante. Em crianças menores de 2 anos, ele só deve ser usado com orientação médica.

  • Tampar caixas d’água, tonéis e quaisquer reservatórios
  • Não deixar água acumulada em vasos, calhas e ralos
  • Colocar areia nos pratos das plantas
  • Guardar garrafas e pneus virados para baixo ou em local coberto
  • Manter o lixo fechado e descartar resíduos corretamente
  • Usar repelente à base de DEET, IR3535 ou icaridina nas áreas expostas do corpo, seguindo as orientações do fabricante
  • Vestir calças e camisas de manga comprida
  • Instalar telas em portas e janelas e usar mosquiteiro, especialmente para crianças pequenas, pessoas acamadas e idosos

Vacina contra a chikungunya no Brasil

O Brasil tem uma vacina contra a chikungunya registrada pela Anvisa. Desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva, ela foi aprovada em abril de 2025 e sua produção nacional foi autorizada em maio de 2026.

A vacina está indicada para adultos de 18 a 59 anos com maior risco de exposição ao vírus e também pode ser aplicada em quem já teve a doença. Ela é contraindicada na gravidez e na amamentação e não deve ser usada em crianças.

A vacina ainda não está disponível para toda a população. O Ministério da Saúde realiza uma estratégia piloto de vacinação, com aproximadamente 250 mil doses, em municípios selecionados segundo critérios epidemiológicos. Por isso, o controle do mosquito continua sendo a principal forma de prevenção para a maioria das pessoas.

Perguntas frequentes

Chikungunya pega de outra pessoa?

Não. A chikungunya não passa pelo contato do dia a dia, como abraço, beijo ou tosse, nem pelo ar; ela é transmitida pela picada do mosquito infectado. A transmissão de mãe para filho é rara, acontece quase sempre no momento do parto e não torna a chikungunya uma doença contagiosa entre pessoas.

A dor nas articulações passa?

Na maioria das pessoas a dor melhora em algumas semanas. Em mais da metade dos casos ela se prolonga e pode se tornar crônica, durando meses ou anos. O acompanhamento com profissional de saúde, com fisioterapia e tratamento adequado da dor, é o que orienta o cuidado.

Quanto tempo dura a chikungunya?

A fase aguda, com febre e dores, costuma durar de 5 a 14 dias. A dor nas articulações pode continuar por semanas, meses ou, em alguns casos, anos.

Qual remédio devo evitar?

Evite a aspirina e os anti-inflamatórios, como ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida, por conta própria, porque aumentam o risco de sangramento enquanto a dengue não é descartada. Para febre e dor, use apenas dipirona ou paracetamol, seguindo a orientação de um profissional de saúde.

Quem já teve chikungunya pode ter de novo?

Depois de uma infecção, a pessoa tende a ficar protegida por um longo período, e novos episódios são considerados raros. Ainda assim, o mosquito continua sendo um risco para outras doenças transmitidas por ele, como dengue e zika.

Existe vacina disponível para todos no Brasil?

Existe uma vacina registrada no Brasil, mas ela é oferecida em uma estratégia piloto em municípios selecionados e não está disponível para toda a população. A prevenção continua dependendo do controle do mosquito e da proteção individual.

Fontes e referências

Fontes públicas consultadas na redação deste conteúdo. Cada link aponta para o documento específico, não para a página inicial da instituição.

  1. Chikungunya: sintomas, prevenção e tratamento, Ministério da Saúde (Brasil)
  2. Chikungunya: fact sheet, Organização Mundial da Saúde

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica, um exame físico nem a orientação individual de um profissional de saúde. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure uma unidade de saúde. Ler o aviso médico completo

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