Pular para o conteúdo
Doenças infecciosas

Zika

Infecção viral transmitida pelo Aedes aegypti. Costuma ser leve, mas a infecção durante a gestação pode causar malformações no bebê.

Revisado pelo grupo de revisão Por Equipe editorial Saudewiki
Publicado em:
13 de outubro de 2026
Última atualização:
13 de outubro de 2026

O que é zika?

Ilustração médica de um Aedes aegypti picando a pele e liberando partículas azuis do vírus no sangue, com recorte de uma gestante com as mãos na barriga e quatro ícones de manchas na pele, conjuntivite, febre baixa e coceira

Zika é uma arbovirose, ou seja, uma doença viral transmitida por mosquitos. Ela é causada pelo vírus zika, transmitido principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue e chikungunya.

O vírus ficou conhecido a partir do surto de 2015, quando o aumento de nascimentos com microcefalia foi relacionado à infecção e levou à declaração de emergência em saúde pública, primeiro no Brasil e depois internacionalmente. Desde então, o número de casos caiu bastante, mas o vírus continua circulando, com registro de casos todos os anos e maior atividade nos meses mais quentes e chuvosos.

A infecção costuma ser leve e muitas pessoas não apresentam sintoma nenhum, o que faz com que muitos casos passem despercebidos. O problema maior está na gestação, porque a infecção nesse período pode atingir o feto e causar malformações no sistema nervoso do bebê.

Como o zika é transmitido?

A via principal é a picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada, principalmente durante o dia. Esse mosquito vive perto das casas, em recipientes que acumulam água parada, por isso a doença se espalha com facilidade em áreas urbanas.

A zika não passa pelo contato do dia a dia, como abraço, beijo ou compartilhamento de objetos. O vírus já foi encontrado na saliva, na urina e no leite materno, mas não há comprovação de transmissão por esses fluidos.

Diferente da dengue e da chikungunya, o zika também pode passar de outras maneiras:

  • Da mãe para o feto, durante a gestação, em qualquer trimestre e mesmo quando a mãe não tem sintomas
  • Por via sexual, já que o vírus pode permanecer no sêmen por semanas após o início dos sintomas
  • Por transfusão de sangue, embora esse risco seja baixo por causa da triagem de doadores

Quais são os sintomas?

A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Quando eles aparecem, surgem de 2 a 7 dias após a picada e costumam ser leves.

O conjunto dos sintomas dura, em geral, de 2 a 7 dias, e a maioria das pessoas melhora sem tratamento específico. Os sinais mais comuns são:

  • Manchas vermelhas na pele, que aparecem cedo
  • Febre baixa, abaixo de 38,5 °C, ou ausência de febre
  • Conjuntivite sem secreção e olhos avermelhados
  • Dor de cabeça, dor nas articulações e dor muscular
  • Cansaço
  • Coceira intensa, que pode atrapalhar o sono
  • Inchaço ao redor das articulações e gânglios aumentados

Sinais que exigem avaliação médica

A zika costuma ser leve, mas pode vir acompanhada de complicações neurológicas. Procure atendimento médico sem demora se notar algum destes sinais:

Esses sinais podem indicar síndrome de Guillain-Barré, encefalite, mielite ou neurite óptica e precisam de investigação. Alterações visuais devem ser avaliadas por um oftalmologista.

  • Formigamento ou fraqueza nos braços ou nas pernas
  • Dificuldade para mover o rosto ou fraqueza que progride
  • Alteração do nível de consciência, confusão ou sonolência excessiva
  • Alterações na visão

Zika na gravidez: risco de microcefalia

A infecção pelo vírus Zika durante a gestação pode passar para o feto em qualquer trimestre, mesmo quando a gestante não tem sintomas. Estima-se que cerca de 26% das gestantes infectadas transmitam o vírus ao feto, e o risco de malformações congênitas é maior quando a infecção ocorre no primeiro trimestre.

As alterações causadas pela infecção congênita formam um conjunto chamado síndrome congênita do vírus Zika. Ela pode incluir microcefalia, alterações do sistema nervoso central, problemas de visão e de audição e dificuldades no desenvolvimento neuropsicomotor. As crianças afetadas podem ter deficiências intelectuais, físicas e sensoriais ao longo da vida e precisam de acompanhamento com uma equipe multiprofissional.

Detectar a infecção o mais cedo possível e manter o pré-natal em dia é fundamental. Gestantes com suspeita de zika devem procurar o serviço de saúde imediatamente, mesmo que os sintomas sejam leves, e ser acompanhadas conforme os protocolos de pré-natal do Ministério da Saúde, com exames de imagem do bebê quando indicado.

Leia também: o que o zika pode causar na gestação

Quem tem mais risco

Todas as pessoas são suscetíveis ao vírus Zika, independentemente de idade ou sexo, mas a atenção maior é para dois grupos:

  • Gestantes, pelo risco de transmissão ao feto e de malformações congênitas
  • Pessoas acima de 60 anos e pessoas com doenças crônicas, que têm mais chance de desenvolver complicações

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela avaliação clínica, feita por um médico, e é confirmado por exames laboratoriais. Todos os exames necessários estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Como os sintomas da zika se parecem com os da dengue e da chikungunya, a confirmação depende de exame laboratorial, e o tipo de exame depende do dia da doença:

A sorologia pode apresentar reação cruzada com a dengue, por isso as amostras costumam ser testadas em paralelo para as duas doenças. Quando a zika é confirmada, o caso deve ser notificado ao Ministério da Saúde em até 24 horas. Durante a gestação, qualquer suspeita deve ser avaliada com prioridade, e recém-nascidos com suspeita de comprometimento neurológico precisam de exames de imagem, como ultrassom, tomografia ou ressonância magnética.

  • RT-PCR, que detecta o material genético do vírus; a urina pode ser usada para confirmar a infecção até o 15º dia do início dos sintomas
  • Sorologia para IgM, que identifica anticorpos produzidos pelo corpo

Zika, dengue ou chikungunya: como diferenciar

As três doenças são transmitidas pelo mesmo mosquito, o que torna a diferenciação difícil apenas pelos sintomas.

A zika é a que mais se associa a malformações congênitas. Como a dengue pode provocar sangramentos graves, é importante que o médico descarte essa possibilidade antes de indicar certos medicamentos.

  • Dengue: febre alta de 4 a 7 dias, manchas vermelhas a partir do 4º dia em 30% a 50% dos casos, dor muscular frequente e dor articular leve
  • Zika: febre ausente ou baixa de 1 a 2 dias, manchas vermelhas no 1º ou 2º dia em 90% a 100% dos casos, dor muscular e articular moderadas
  • Chikungunya: febre alta de 2 a 3 dias, manchas vermelhas entre o 2º e o 5º dia em cerca de 50% dos casos, dor muscular menos frequente e dor articular intensa e incapacitante

Tratamento e cuidados

Não comece, não suspenda e não altere a dose de nenhum medicamento por conta própria. Só um profissional de saúde pode indicar o tratamento adequado ao seu caso.

Não existe antiviral específico contra o vírus Zika. O tratamento alivia os sintomas e inclui repouso, ingestão de líquidos e medicamentos para a dor e a febre.

Para dor e febre, podem ser usados paracetamol ou dipirona, conforme a orientação do profissional de saúde. Não use ácido acetilsalicílico (aspirina) e evite anti-inflamatórios por conta própria, porque aumentam o risco de sangramento enquanto a dengue não é descartada. Quando há coceira intensa, anti-histamínicos podem ser indicados por um profissional de saúde.

Gestantes com suspeita de zika devem seguir as orientações do pré-natal e ser acompanhadas de perto, com avaliação do bebê quando necessário.

Como prevenir?

Não há vacina disponível contra a zika. Por isso, a prevenção se baseia em impedir a reprodução do mosquito, evitar suas picadas e prevenir a transmissão por via sexual.

O repelente é considerado seguro na gravidez quando usado conforme as instruções do fabricante. Em crianças menores de 2 anos, ele só deve ser usado com orientação médica. Gestantes devem redobrar os cuidados nos horários de maior atividade do mosquito, como o amanhecer e o fim da tarde. Para prevenir a transmissão por via sexual, o uso de preservativo é recomendado, especialmente durante a gravidez, e a gestante deve manter relações protegidas ao longo de toda a gestação quando houver suspeita ou confirmação de zika no parceiro.

  • Tampar caixas d’água, tonéis e quaisquer reservatórios
  • Não deixar água acumulada em vasos, calhas e ralos
  • Colocar areia nos pratos das plantas
  • Guardar garrafas e pneus virados para baixo ou em local coberto
  • Manter o lixo fechado e descartar resíduos corretamente
  • Usar repelente à base de DEET, IR3535 ou icaridina nas áreas expostas do corpo, seguindo as orientações do fabricante
  • Vestir calças e camisas de manga comprida
  • Instalar telas em portas e janelas e usar mosquiteiro, sobretudo para gestantes, crianças pequenas e pessoas que dormem durante o dia

Leia também: como se proteger do zika em áreas com transmissão

Perguntas frequentes

Zika é perigoso para todo mundo?

Para a maior parte das pessoas a infecção é leve e passa sozinha, e muitas nem apresentam sintomas. O risco maior é a infecção durante a gestação, pelo efeito no desenvolvimento do bebê.

Existe vacina contra zika?

Ainda não. Nenhuma vacina está disponível para a população, e a prevenção depende do controle do mosquito, da proteção contra picadas e do uso de preservativo nas relações sexuais.

Zika pode ser transmitido pelo beijo ou pelo abraço?

Não pelo contato do dia a dia, como abraço, beijo ou uso de objetos compartilhados. A transmissão conhecida é pela picada do mosquito, por via sexual, por transfusão e da gestante para o feto.

Zika na gravidez sempre causa microcefalia?

Não. A maioria das gestantes infectadas não transmite o vírus ao feto, e a malformação não ocorre em todos os casos de transmissão. O risco é maior quando a infecção acontece no primeiro trimestre da gestação.

Como uma gestante pode se proteger?

Usando repelente autorizado e adequado para a gravidez, vestindo roupas que cubram o corpo, instalando telas e mosquiteiro, evitando os horários de maior atividade do mosquito e mantendo o pré-natal em dia. As relações sexuais também devem ser protegidas durante a gestação.

A zika deixa sequelas?

Na maioria das pessoas, não. As complicações neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré, são raras, mas exigem atendimento médico imediato quando surgem.

Fontes e referências

Fontes públicas consultadas na redação deste conteúdo. Cada link aponta para o documento específico, não para a página inicial da instituição.

  1. Zika: sintomas, prevenção e tratamento, Ministério da Saúde (Brasil)
  2. Zika virus: fact sheet, Organização Mundial da Saúde
  3. Zika: informações e orientações, Organização Pan-Americana da Saúde

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica, um exame físico nem a orientação individual de um profissional de saúde. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure uma unidade de saúde. Ler o aviso médico completo

Artigos relacionados

Encontrou um erro nesta página?

Correções de conteúdo médico são bem-vindas e passam por revisão antes de qualquer alteração.

Enviar correção

Temas relacionados

Outras doenças relacionadas