Gastroenterite (diarreia infecciosa)
Infecção do estômago e do intestino que causa diarreia e vômitos. Quase sempre viral e passageira, mas a desidratação é o risco real, e o tratamento começa em casa, com soro de reidratação oral.
- Publicado em:
- 15 de outubro de 2026
- Última atualização:
- 16 de outubro de 2026
O que é gastroenterite?
Gastroenterite é a inflamação do estômago e do intestino causada, na maioria das vezes, por vírus, bactérias ou parasitas. Ela se manifesta como diarreia, que a Organização Mundial da Saúde define como três ou mais evacuações de fezes moles ou líquidas em um dia.
É uma doença comum em qualquer idade, mas os grupos mais vulneráveis são as crianças pequenas e as pessoas idosas, em quem a perda de água e sais pode evoluir rápido. A maioria dos episódios é leve e passa sozinha em poucos dias; o que mais muda o desfecho é a rapidez com que a hidratação é reposta.
Segundo o Ministério da Saúde, as doenças diarreicas agudas atingem sobretudo crianças menores de cinco anos, e a diarreia segue entre as principais causas de morte nessa faixa de idade onde o acesso a água tratada e saneamento é limitado.
Quais são os sintomas?
O quadro costuma começar de repente, com sintomas digestivos e, às vezes, febre.
- Diarreia, com fezes moles ou líquidas
- Vômitos e náuseas
- Dor e cólica abdominal
- Febre, nem sempre presente
- Sangue ou muco nas fezes, quando a causa é bacteriana ou parasitária
- Sinais de desidratação: boca seca, pouca urina e escura, ausência de lágrimas ao chorar, sonolência ou irritação
Como se espalha?
A transmissão é fecal-oral: os germes saem das fezes e entram pela boca. Isso acontece por água e alimentos contaminados, por mãos que não foram lavadas e pelo contato direto com uma pessoa doente ou com objetos contaminados.
Norovírus costuma causar surtos em ambientes fechados, e o rotavírus é o vírus que mais adoece crianças pequenas, segundo a Organização Mundial da Saúde. A diarreia também é um marcador de saneamento: onde falta água tratada, os mesmos micróbios voltam a cada temporada.
Como é diagnosticada?
Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico, pela história e pelo exame do estado de hidratação, sem necessidade de exame. O que orienta a conduta não é saber o nome do micróbio, e sim o quanto a pessoa perdeu de água e sais.
Quando há sangue ou muco nas fezes, desidratação grave ou suspeita de surto, o profissional pode pedir exames de fezes: coprocultura, exame parasitológico e pesquisa de vírus. Nesses casos, a amostra deve ser colhida antes do uso de antibióticos, para não atrapalhar o resultado.
Nem toda diarreia é infecciosa. Medicamentos, intolerância à lactose, doença celíaca e síndrome do intestino irritável também causam diarreia, e nesses casos não há germe a tratar.
Quando procurar atendimento?
Na diarreia, o que orienta a decisão não é quantos dias dura, mas como a pessoa está. Volte ao serviço de saúde se não houver melhora em dois dias ou se aparecer algum dos sinais abaixo, sobretudo em bebê, criança pequena ou pessoa idosa.
- Sangue ou muco nas fezes
- Vômitos repetidos que impedem de reter líquidos
- Muita sede, boca seca, urina rara e escura
- Olhos fundos, moleira afundada em bebês, choro sem lágrimas
- Sonolência excessiva, fraqueza ou recusa de alimentos
Como se trata?
Não comece, não suspenda e não altere a dose de nenhum medicamento por conta própria. Só um profissional de saúde pode indicar o tratamento adequado ao seu caso.
O tratamento gira em torno de repor o que se perdeu. O soro de reidratação oral, distribuído gratuitamente pelo SUS, é oferecido em pequenos goles e com frequência, desde o primeiro episódio de diarreia. Água e alimentos comuns também contam, mas o soro repõe água e sais na proporção certa.
Em crianças, a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde recomendam os sais de reidratação oral com zinco por 10 a 14 dias, o que encurta o episódio e reduz o risco de complicações. Manter a alimentação e a amamentação acelera a recuperação.
Quando a perda é maior, a reidratação pode ser feita na unidade de saúde e, nos casos graves, por via intravenosa. Esse plano de reposição é definido pelo profissional após avaliar o grau de desidratação.
Medicamentos que param a diarreia e remédios para vômito não devem ser usados por conta própria, sobretudo em crianças: eles seguram no intestino justamente os germes que o corpo tenta eliminar. O antibiótico só tem lugar quando o profissional identifica disenteria, cólera ou outra causa bacteriana ou parasitária específica.
Como prevenir?
Água tratada, saneamento e lavagem das mãos com sabão, antes de comer e depois de usar o banheiro, são a base da prevenção, como destaca a Organização Mundial da Saúde. Também vale higienizar bem frutas, verduras e utensílios de cozinha e manter a amamentação nos primeiros meses de vida.
Contra o rotavírus, o calendário do SUS oferece a vacina oral em duas doses, aos dois e aos quatro meses de idade. Ela não impede toda diarreia, mas reduz muito as formas graves que levam a criança ao hospital.
Perguntas frequentes
Criança com diarreia deve parar de comer?
Não. Suspender a alimentação piora o quadro. Ofereça o soro de reidratação oral à parte, em goles frequentes, e mantenha a comida habitual e a amamentação, em pequenas porções ao longo do dia.
Quanto tempo dura a gastroenterite?
Na maioria dos casos, alguns dias. Quando a diarreia passa de 14 dias, ela é classificada como persistente e precisa de investigação, porque aí outras causas entram na lista.
Antibiótico ajuda na diarreia?
Na maioria dos casos, não. A gastroenterite comum é viral ou se resolve sozinha, e o antibiótico pode até atrapalhar. Ele só se justifica quando o profissional de saúde identifica disenteria, cólera ou outro agente que exige tratamento específico.
Fontes e referências
Fontes públicas consultadas na redação deste conteúdo. Cada link aponta para o documento específico, não para a página inicial da instituição.
- Doenças diarreicas agudas (DDA), Ministério da Saúde (Brasil)
- Rotavírus, Ministério da Saúde (Brasil)
- Diarrhoeal disease: fact sheet, Organização Mundial da Saúde
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica, um exame físico nem a orientação individual de um profissional de saúde. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure uma unidade de saúde. Ler o aviso médico completo
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Água tratada, saneamento e lavagem das mãos são a base da prevenção. A vacina contra o rotavírus protege as crianças das formas graves.
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